Álcool gel é eficaz na prevenção ao coronavírus, afirma conselho (CRQ)

Álcool gel é eficaz na prevenção ao coronavírus, afirma conselho (CRQ)

O uso de álcool gel para higiene das mãos como prevenção ao coronavírus é eficaz. Em nota, o Conselho Federal de Química (CFQ) criticou a disseminação de fake news por meio de um vídeo, com informações equivocadas e incorretas a respeito do emprego do álcool gel, divulgado por um “químico autodidata”.

Assinada pelo presidente da entidade, José de Ribamar Oliveira Filho, a nota do conselho esclarece que o álcool etílico (etanol) é um eficiente desinfetante de superfícies/objetos e antisséptico de pele. “Para este propósito, o grau alcoólico recomendado é 70%, condição que propicia a desnaturação de proteínas e de estruturas lipídicas da membrana celular, e a consequente destruição do microrganismo.”

Segundo a entidade, o etanol age rapidamente sobre bactérias vegetativas (inclusive microbactérias), vírus e fungos, sendo a higienização equivalente e até superior à lavagem de mãos com sabão comum ou alguns tipos de antissépticos.

O conselho lembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou obrigatória a disponibilização de preparação alcoólica (ou sua versão em gel) para fricção antisséptica das mãos pelos serviços de saúde do país.

A entidade lembra que a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu uma orientação sobre a eficácia da utilização de álcool gel como medida preventiva e mitigatória ao Covid-19, tanto nos setores da saúde quanto para a comunidade em geral.

“Tão importante quanto proteger a população no que diz respeito ao contágio do novo vírus é evitar o alarmismo e a viralização de conteúdos sem a devida verificação”, afirmou o presidente do CFQ, apelando para que a sociedade busque informações válidas e de fontes confiáveis, em especial as emitidas pelas autoridades de Saúde.

Denúncia ao Ministério Público

O CFQ afirmou ainda que não reconhece como válida a denominação de “químico autodidata” ou a de pessoas que atuem nas atividades da química sem o devido registro profissional.

Segundo a entidade, a falta do registro configura infração tipificada no artigo 47 da Lei de Contravenções Penais (3.688/41) como exercício ilegal da profissão – sem prejuízo de enquadramento em outras normas legais.

Constatadas irregularidades no que tange à qualificação e ao registro profissional, o conselho vai oferecer denúncia junto ao Ministério Público, observando a devida proteção à população.

Medidas preventivas

O Ministério da Saúde recomenda como medidas de prevenção ao novo coronavírus:

– lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, ou usar desinfetante para as mãos à base de álcool quando a primeira opção não for possível;

– evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;

– evitar contato próximo com pessoas doentes;

– ficar em casa quando estiver doente;

– usar um lenço de papel para cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, e descartá-lo no lixo após o uso; 

– não compartilhar copos, talheres e objetos de uso pessoal;

– limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Outros cuidados importantes são manter ambientes bem ventilados e higienizar as mãos após tossir ou espirrar.

A melhor solução para a higienização das mãos é o álcool gel, ou seja, um gel desinfetante, que é um líquido geralmente usado para diminuir a quantidade de agentes patogénicos nas mãos. Na maior parte dos contextos clínicos, as formulações à base de álcool são preferíveis à lavagem das mãos com água e sabonete. Pois são geralmente mais eficazes a matar microorganismos e melhor toleradas do que água e sabonete.

No entanto, as mãos devem continuar a ser lavadas após o uso de sanitários. O uso generalizado de soluções sem álcool não está recomendado.Fora do contexto clínico, são poucas as evidências que apoiem a preferência por géis desinfetantes em relação à lavagem das mãos. Estes desinfetantes estão disponíveis na forma de líquidos, géis ou cremes.

As versões à base de álcool geralmente são fabricadas com isopropanol, etanol ou 1-Propanol. As fórmulas que contenham entre 60 e 95% de álcool são as mais eficazes. A solução hidroalcoolica recomendada para a higienização das mãos com efeito bactericidade deve ser igual ou superior a 70% INPM. Estas soluções são geralmente inflamáveis e devem ser usado com atenção e cuidado, manter fora do alcance de crianças e animais domésticos. E devem se manter afastado do calor e do fogo. 

Embora os desinfetantes à base de álcool matem uma série de microorganismos, não matam esporos. Algumas fórmulas contêm glicerol para evitar que a pele seque e resseque. As versões sem álcool podem ser fabricadas à base de cloreto de benzalcónio ou triclosan.

É importante ressaltar que a indicação de procedência é uma forma de proteção da origem de produtos, inspirada no conceito de indicação de origem, que é a utilização de qualquer referência direta ou indireta da origem geográfica de produtos e serviços para identificá-los. 

Anvisa simplifica autorização de produtos para higiene

Regulamento estabelece condições extraordinárias e temporárias para que empresas fabriquem itens como álcool gel sem autorização prévia devido ao COVID-19.

A Anvisa definiu critérios e procedimentos para fabricação e venda de produtos para higienização sem autorização prévia do órgão. As regras se aplicam a preparações antissépticas e sanitizantes oficinais (obtidos por meio de manipulação). Alguns exemplos desses produtos são álcool gel, que serve para higienizar as mãos e objetos, e desinfetantes para limpeza de superfícies e ambientes.

A medida é extraordinária e temporária e foi motivada pela situação de emergência de saúde pública internacional provocada pelo novo coronavírus (Covid-19). O objetivo é aumentar a oferta dos produtos no mercado para que a sociedade tenha mais acesso a itens de proteção.

Terão permissão para fabricar e vender os produtos as empresas de medicamentos, saneantes e cosméticos regularizadas com Autorização de Funcionamento (AFE), alvará ou licença sanitária emitida pelo órgão de saúde competente dos estados, Distrito Federal e municípios. Além disso, as empresas devem ter todas as permissões legais para funcionamento, inclusive para fabricação e armazenamento de substâncias inflamáveis.

As normas estão na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 350/2020 e vigoram a partir desta sexta-feira (20/3), data de publicação no Diário Oficial da União (D.O.U.). A validade das regras é de seis meses.

Veja quais são as preparações permitidas

Quando utilizados da forma correta, os antissépticos e sanitizantes oficinais (obtidos por manipulação) são eficazes no combate a contaminações e reduzem a presença de microrganismos nocivos à saúde, como vírus e bactérias.   

Confira abaixo quais preparações oficinais estão extraordinariamente e temporiamente permitidas para as empresas fabricantes de medicamentos:

  • álcool etílico 70% (p/p);

  • álcool etílico glicerinado 80%;

  • álcool gel;

  • álcool isopropílico glicerinado 75%;

  • digliconato de clorexidina 0,5%.

Para as empresas fabricantes de cosméticos e saneantes, a permissão de fabricar e comercializar aplica-se exclusivamente ao álcool 70%. A Anvisa informa que o prazo de validade dos produtos não poderá ser superior a 180 dias. Esclarece também que a nova RDC suspende os efeitos do art. 2º da RDC 46/2002, o que permitirá a exposição e venda ao consumidor de álcool líquido 70% em embalagem de um litro.

Fonte: ebc-Agência Brasil, ANVISA, PROCON e CRQ/Conselho Regional de Química
Foto: alamy

Jornal Paraná Shimbun

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