Como surgiu o coronavírus?

Como surgiu o coronavírus?

pandemia de coronavírus vem de zoonoses que viraram doenças humanas.

Começa com o vírus Hendra, que saltou de cavalos para homens na Austrália em meados dos anos 1990, mas tem sua origem em morcegos, e vai até a gripe, que vem de aves podendo fazer um estágio em outras espécies como porcos.

Morcegos, parecem ser um dos principais reservatórios para vírus potencialmente terríveis ao ser humano. O coronavírus não é uma exceção. E a solução, antes que alguém pense em exterminá-los, está, pelo contrário, em respeitarmos mais seu hábitat. 

As pandemias originárias de zoonoses nada mais são que um reflexo das intervenções do homem no meio ambiente. No anseio para se expandir, a humanidade invade o terreno alheio e traz problemas de lá.

Uma série de inimigos microscópicos que vieram originalmente de morcegos:

  • O vírus Hendra
  • O vírus de Marlburg
  • Raiva
  • Ebola 
  • O vírus Nipah
  • Sars
  • Entre outros menos conhecidos como os vírus Tioman e Melaka

A sigla Sars, para Síndrome Respiratória Aguda Grave, que assolou a China no início dos anos 2000 mas foi contida, é provocada por um coronavírus, o SARS-CoV-1. E é um “parente” dele que causa a Covid-19, batizado de SARS-CoV-2.

Tudo leva a crer que a origem do COVID-19 podem ser os morcegos. Mas ainda são necessários vários estudos para comprovar está suspeita.

O caminho de transmissão até o ser humano

Vírus são pacotinhos de genes, nem dá pra chamar de “ser” ou “micro-organismo” porque eles dependem de uma célula viva para se replicar e sobreviver que estão em evolução contínua. Tudo para se adaptar melhor ao(s) hospedeiro(s) e se perpetuar. Nessa corrida pelo sucesso, eles sofrem mutações que ajudam e outras que atrapalham sua propagação, e mesmo o pulo para as demais espécies animais.

Quanto mais moradias ele tiver, melhor. Para ser exitoso, não pode aniquilar rapidamente o hospedeiro e deve ter um bom potencial de transmissão. Digamos que o novo coronavírus nos surpreendeu (infelizmente, claro) nesse sentido.

De acordo com o virologista Paulo Eduardo Brandão, expert em coronavírus e professor da Universidade de São Paulo (USP), há duas hipóteses mais documentadas: na primeira, o vírus foi entrando em contato aos poucos com a espécie humana e criando estratégias para fazer o salto. Na segunda, ele teria vindo mais “pronto” de um morcego e feito a transmissão interespécie de modo mais acelerado.

“Morcegos podem ser infectados por vários tipos de coronavírus no mundo todo. Já encontramos até alguns exemplares com esses vírus na cidade de São Paulo”, diz Brandão. Que fique claro: os bichos daqui carregavam outros coronavírus, não o causador da pandemia.

Na história natural da passagem para o corpo humano, ainda se suspeita que o vírus da Covid-19 possa ter feito uma parada evolutiva num mamífero chamado pangolim. 

“É provável que o contato silvestre tenha sido o principal vetor de transmissão. Nessas situações, as pessoas têm contato com saliva e fezes dos morcegos”, avalia Brandão. 

Esta é uma tese que teria mais sustento que a de que tudo começou com alguém que degustou sopa de morcego. No entanto, a caça desses animais e a introdução deles em mercados pode ter dado sua pitada de contribuição.

Teorias à parte, o que se sabe é que o novo coronavírus já sofreu diversas mutações e tem uma configuração própria para infectar seres humanos. “A evolução do vírus não para”, ressalta o professor da USP.

Fonte: Saúde abril
Foto: wikipedia

Jornal Paraná Shimbun

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