Guia da Cultura Japonesa [ATUALIZADO]

Nesse, artigo você vai encontrar tudo sobre a cultura do Japão

Kazuko Nakamura
Colaboradora ParanaShimbun

“Conhecer a cultura e os costumes é fundamental para se identificar com o Japão”.  
(K. Nakamura)

O Japão exibe uma cultura multifacetada, com tradições milenares. Os japoneses vivem sob rígidos códigos e muitos são de tamanha sutileza, que poucos estrangeiros poderiam notar ou compreender. Por esse motivo é fundamental conhecer a cultura e os costumes japoneses.

Índice

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Cultura do Japão

A cultura do Japão evoluiu grandemente com o tempo, da cultura do país original Jomon para sua cultura híbrida contemporânea, que combina influências do Brasil, Europa e América do Norte. 

A cultura japonesa é resultado das várias ondas de imigração provenientes do continente asiático e das Ilhas do Pacífico. Seguido por uma forte influência cultural da China e, em seguida, um longo período de relativo isolamento do resto do mundo sob o Xogunato Tokugawa. 

Subíndice

Obras Literárias

Revistaria online

Literatura Japonesa

A literatura japonesa cobre um período de quase dois milénios. As primeiras obras são fortemente influenciadas pelo contacto cultural com a China e a literatura chinesa, uma influência que permanece até ao período Edo. Com o reabrir dos portos ao comércio e aos contactos diplomáticos com o Ocidente, no século XIX, a literatura ocidental também veio influenciar o estilo dos escritores japoneses. A literatura japonesa é usualmente dividida em períodos: Antigo, Clássico, Medieval, Pré-moderno e os períodos considerados modernos: Meiji, Taisho e Showa.

Japão Literatura - Período antigo (até 894)

Ō no Yasumaro copilou e editou o Kojiki, o livro mais antigo sobre a história do Japão

Com a importação dos kanji da China, criou-se o primeiro sistema de escrita japonês (antes da introdução do caracteres chineses não existia escrita formal). Os caracteres chineses foram depois adaptados para escrever japonês, criando aquela que é considerada a primeira forma de kana, ou escrita silábica, o man’yōgana. As primeiras obras foram criadas no Período Nara, entre elas incluem-se o Kojiki (712, um trabalho registando a mitologia japonesa e lendas da antiguidade), o Nihon shoki (720, uma crónica com mais profundidade histórica) e o Man’yōshū (759, uma antologia poética).

Ainda que não existisse literatura escrita, foram compostas um número considerável de baladas, orações rituais, mitos e lendas que, posteriormente, foram reunidas por escrito e incluem-se na Kojiki (Relação de questões antigas, 712) e o Nihon shoki (Livro de História do Japão antigo, 720), primeiras histórias do Japão que explicam a origem do povo, a formação do Estado e a essência da política nacional. A lírica surgida das primitivas baladas incluídas nestas obras estão compiladas na primeira grande antologia japonesa, a Man’yōshū (Antología de inumeráveis folhas), realizada por Otomo no Yakamochi depois de 759 e cujo poeta mais importante é Kakimoto Hitomaro.

Japão Literatura - Período clássico (894 a 1194, o período Heian)

Normalmente considera-se como período clássico da literatura japonesa o período Heian, referida também como uma época áurea da arte e literatura. A “Lenda de Genji” (Genji Monogatari) que data do início do século XI e foi composto por Murasaki Shikibu, é considerada a mais proeminente obra de ficção deste período e também como uma das primeiras composições literárias em forma de novela.

Murasaki Shikibu autora do Genji Monogatari, escrito aproximadamente entre 1000 e 1012

Murasaki Shikibu ( 紫式部 , conhecida no ocidente como Lady Murasaki, 973 ou 978 – 1014 ou 1031) foi uma romancista japonesa, poeta e dama de companhia na corte imperial durante o período Heian. Ela é mais conhecida como a autora do Genji Monogatari (“A História dos Genji”), escrito aproximadamente entre 1000 e 1012. Murasaki Shikibu era seu nome artístico; seu nome real é desconhecido, mas acredita-se que seja Fujiwara Takako, mencionada no Diário da Corte de 1007 como uma dama de companhia imperial.

Outros trabalhos importantes deste período incluem o Kokin Wakashu (905), uma antologia de poesia waka e “O Livro de Travesseiro” Makura no Sōshi (990s), sendo o segundo escrito por Sei Shonagon, contemporânea e rival de Murasaki Shikibu.

Sei Shōnagon (清少納言) (966-1017) foi uma escritora japonesa e dama da corte imperial ou dama de acompanhamento da Imperatriz Teishi (Princesa Sadako), por volta da metade da Período Heian, aproximadamente ano 1000 d. C. Ela ficou reconhecida por ser a autora do Livro de Travesseiro (枕草子 makura no sōshi). Pouco se sabe sobre a vida de Sei Shōnagon, sua data de nascimento provável é o ano de 966 d. C., na família Kiyohara ou Kiyowara (清原). Tudo o que se sabe sobre Sei Shōnagon vem registrado no próprio Livro de Travesseiro, de sua autoria.

Sei Shōnagon autora do Livro de Travesseiro (枕草子 makura no sōshi)

Durante este período, a corte imperial apoiava os poetas, a maior parte dos quais eram cortesãos ou damas de companhia, havendo uma constante edição de antologias de poesia. Como reflexo da atmosfera aristocrática, a poesia produzida era elegante e sofisticada, exprimindo emoções de forma retórica.

A Kokin-siu (Antologia de poesia antiga e moderna, 905) foi reunida pelo poeta Ki Tsurayuki que, no prefácio, proporcionou a base para a poética japonesa. Ki Tsurayuki é também conhecido como autor de um nikki, primeiro exemplo de um importante gênero literário japonês: o diário.

Escrito pela japonesa Murasaki Shikibu no século XI, é considerada a obra capital da literatura japonesa e o primeiro romance propriamente dito da história. Nesta cena do capítulo Asagao, o príncipe Genji acaba de regressar de uma frustrante visita ao palácio de sua amante, a princesa da Glória Matutina. Enquanto conversa sobre suas outras amantes com sua esposa favorita, Murasaki, contempla como suas criadas jogam na neve. O romance está repleto de ricos retratos da refinada cultura do Japão do período heian, que se mesclam com agudas visões da fugacidade do mundo.

A literatura do começo do século X aparece em forma de contos de fadas, como O conto do cortador de bambú, ou de poemas-contos, entre eles, Ise monogatari (Contos de Ise, c. 980). As principais obras da literatura de Heian são Genji monogatari (Contos ou História de Genji, c. 1010) de Murasaki Shikibu, primeiro importante romance da literatura mundial, e Makura-no-soshi (O livro travesseiro) de Sei Shonagon.

Japão Literatura - Período medieval (1195 a 1600)

A literatura medieval japonesa é marcada por uma forte influência do budismo Zen, sendo as personagens padres, viajantes ou poetas ascéticos. Durante este período ocorreram diversas guerras civis no Japão que levaram à formação de uma classe de guerreiros, e subsequentemente à redação de contos e histórias tendo como temática a guerra. Os trabalhos deste período são notados pela suas considerações acerca da vida e da morte, estilos simples de vida e redenção através da morte. Um trabalho representativo é Heike Monogatari (1371), uma descrição da luta épica entre os clãs Minamoto e Taira pelo controlo do Japão no final do século XII, outros trabalhos importantes deste período são Hojoki (1212) de Kamo no Chōmei e Tsurezuregusa (1331) de Yoshida Kenko.

Taira 平氏 - Clã de Origem - Casa Imperial do Japão - Fundador - Taira no Takamochi

O Taira foi um dos quatro clãs mais importantes que dominaram a política japonesa durante o Período Heian da História do Japão – os outros eram os Fujiwara, os Tachibana além dos Minamoto. Comumente o Clã Taira é mencionado como Heishi (平氏) ou Heike (平家), se for usada a leitura chinesa do carácter para Taira o Hira (平, hei), já o Shi (氏) significa Clã e Ke (家) significa Família.

Minamoto (源?) foi um dos sobrenomes honorários dados pelos imperadores do Período Heian (794–1185 AD) a seus filhos e netos que não fossem considerados elegíveis para o trono. Os Taira eram outro grande ramo da dinastia imperial. O clã Minamoto era também conhecido como Clã Genji (源氏), a partir de uma leitura alternativa dos kanji para Minamoto e uji, ou família.

Sei Shōnagon autora do Livro de Travesseiro (枕草子 makura no sōshi)

Japão Literatura - Período pré-moderno (1600 a 1868)

A literatura durante este período (Período Edo ou Tokugawa) desenvolveu-se no ambiente de paz que se verificou na maior parte desta época.

Devido em grande parte ao crescimento das classes trabalhadora e média na nova capital Edo (atual Tóquio), apareceram e desenvolveram-se formas de drama popular que posteriormente evoluiram para kabuki. O dramaturgo de joruri e kabuki Chikamatsu Monzaemon tornou-se popular no final do século XVII. 

Taira 平氏 - Clã de Origem - Casa Imperial do Japão - Fundador - Taira no Takamochi

Matsuo Bashō (松尾 芭蕉 , Tóquio, 1644 – Osaka, 28 de novembro de 1694), ou simplesmente Bashō, foi o poeta mais famoso do período Edo no Japão. Durante sua vida, Bashô foi reconhecido por seus trabalhos colaborando com a forma haikai no renga. Atualmente, após séculos de comentários, é reconhecido como um mestre da sucinta e clara forma haikai. Sua poesia é reconhecida internacionalmente e dentro do Japão muitos dos seus poemas são reproduzidos em monumentos e locais tradicionais. Foi ele quem codificou e estabeleceu os cânones do tradicional haikai japonês.

Matsuo Basho escreveu Oku no Hosomichi (奥の細道, 1702), o seu diário de viagem. Hokusai, um dos mais famosos artistas de ukiyo-e, ilustrou trabalhos de ficção além das suas famosas 36 vistas do monte Fuji.

Neste período de paz e riqueza surgiu uma prosa obscena e mundana de um caráter radicalmente diferente ao da literatura do período precedente. A figura mais importante do período foi Ihara Saikaku, cuja prosa em O homem que passou a vida fazendo amor (1682) foi muito imitada. No século XIX foi famoso Jippensha Ikku (1765-1831), autor da obra picaresca Hizakurige (1802-1822).

O haicai, um verso de 17 sílabas que reflete a influência do zen, foi aperfeiçoado neste período. Três poetas destacam-se por seus haikais: o monge mendicante zen Basho, considerado o maior dos poetas japoneses por sua sensibilidade e profundidade; Yosa Buson, cujos haikus expressão sua experiência como pintor, e Kobayashi Issa. A poesia cômica, numa diversidade de formas, influenciou também este período.

Taira 平氏 - Clã de Origem - Casa Imperial do Japão - Fundador - Taira no Takamochi

Yosa Buson, ou simplesmente Buson, como é conhecido Taniguchi Buson, (1716, Osaca – 1783, Quioto) foi um poeta e pintor japonês do Período Edo, e foi tanto discípulo como mestre de grandes artistas do século XVIII. Juntamente com Matsuo Bashō e Kobayashi Issa, é considerado o melhor representante do Período Edo, o principal poeta do segundo período clássico do haiku. Seu trabalho inclui também a pintura, na qual destacou-se na bunjin-ga e na haiga. Bunjin-ga (a pintura dos intelectuais), é um gênero que se desenvolveu no Japão a partir do início do século XVIII. Já a haiga (o desenho do haikai) é, como já diz o nome, a ilustração desse tipo de poema e foi criada pelo próprio Buson.

Kobayashi Issa (小林一茶 15 de junho de 1763 – 5 de janeiro de 1827) foi um escritor e poeta japonês. Issa é lembrado como grande autor de haikai, sendo o mais importante autor deste gênero na terceira fase clássica do haiku japonês, demonstrando subjetivismo, crítica social e piedade, e diferenciando-se, do primordial haiku, voltado à contemplação da natureza e da realidade concreta, dos quais o observador zen não retira conclusões, senão físicas (haiku de Bashô), as quais servirão como exemplo para outras conclusões através de analogia.

Masaoka Shiki é visto como um dos grandes mestre do haiku, junto com Bashō, Buson e Issa

Diferencia-se da segunda fase (Buson) do haiku, igualmente, o qual agrega um elemento “beletrista” e, timidamente, crítico social. Outro diferencial é que, na obra de Issa, as referências às estações do ano não são obrigatórias, como na maior parte do haiacaísmo clássico, sendo também o apelo aos sentidos, principalmente à imaginação visual, menos intenso.

O elemento humano aparece mais claramente. Críticos contrários a ele o acusam de um certo sentimentalismo, o que seria considerado uma degeneração do haicu, e por isso fala-se em um período de “restauração di haiku”, naturalmente, posterior a Issa. No entanto, seus poemas o tornaram popular por explorarem um certo lado cômico e até nonsense da vida e da natureza, como neste: 

Apenas estando aqui,/estou aqui,/e a neve cai.

Japão Literatura - Período moderno (1868 a 2000)

Durante o período moderno os escritores japoneses foram influenciados por outras literaturas, principalmente as ocidentais. 

No século XIX destacam-se os romances de Kanagaki Robunis, Tokai Sanshi, Tsubuochi Shoyo e Futabei Shimei. Ozaki Koyo, fundador da Kenyusha (Sociedade dos amigos do nanquim), incorporou técnicas ocidentais e influenciou-se em Higuchi Ichiyo. No século XX surge o naturalismo, cuja figura principal é Shimazaki Toson. Mori Ogai e Natsume Soseki se mantiveram afastados da tradição francesa dominante. 

Destacam-se também o autor de relatos Akutagawa Ryunosuke, Yasunari Kawabata (Prêmio Nobel em 1968), Junichiro Tanizaki, Yukio Mishima, Abe Kobo e Kenzaburo Oé (Prêmio Nobel em 1994). Do final do século XIX aos nossos dias existe um forte movimento a favor da poesia ao estilo ocidental. Dentro deste gênero, surgiram excelentes poetas, como Masaoka Shiki.

Masaoka Shiki (正岡 子規, Masaoka Shiki, 17 de Setembro de 1867 – 19 de Setembro de 1902) foi o pseudónimo do autor, poeta, critico literário e jornalista do período Meiji, no Japão. O seu verdadeiro nome era “‘Masaoka Tsunenori”‘ (正岡 常規), mas quando criança era chamado “‘Tokoronosuke”‘ (処之助). Mais tarde mudou o seu nome para “‘Noboru”‘ (升). Shiki é hoje em dia muitas vezes creditado como tendo revitalizado as formas poéticas de haiku e tanka. 

Masaoka Shiki é visto como um dos grandes mestre do haiku, junto com Bashō, Buson e Issa

Apesar de as suas ideias e teorias terem sido consideradas como revolucionárias pelos seus contemporâneos, ele permaneceu dentro das regras e formatos tradicionalmente estabelecidos, em oposição aos seus mais radicais sucessores em verso livre. É visto como um dos grandes mestre do haiku, junto com Bashō, Buson e Issa.

Ler obras de autores do Japão auxiliam no aprendizado do idioma

Aprender a língua japonesa não é apenas ler e escrever japonês, é muito mais que isso… é interpretar o texto e entender a mensagem. Por esse motivo, um ótimo exercício, é ler livros de autores japoneses, isso auxilia muito no aprendizado. 

Mesmo, a leitura de obras traduzidas, do japonês para o português, auxiliam na compreensão de como o autor transmite a mensagem. O ideal é ler no idioma original do autor. Mas para quem ainda não domina o japonês, essas vinte (20) obras literárias vão potencializar e agilizar o seu aprendizado.

Afinal, as línguas não equivalham 100% suas conjugações verbais em comparação com outras, por exemplo, na língua japonesa o tempo não é como o da língua portuguesa. Sobre tempo da língua japonesa não existe teoria vigente, segundo Kato (2011). 

Em japonês é possível mudar o sentido dos verbos de diversas maneiras, basta acrescentar o 助動詞 (Jodoushi), que existem dezoito 助動詞. Na língua japonesa não há um 助動詞 que marque o tempo futuro, quer dizer, que sirva apenas para acontecimentos futuros. Por exemplo:

  1. 雨が降る。
  2. 雨が降るだろう。
  3. 明日は必ず雨が降る。
  4. 雨が降っている。
  5. 東京でも雨が降っているだろう。
  6. ここでは雨が降った。
  7. 東京でも降っただろう。

Nas sete frases acima é possível perceber uma sutil diferença de significado devido aos 助動詞. Ao traduzir essas frases para o português, seria imprescindível marcar fortemente o tempo verbal, como:

  1. A chuva cai.
  2. Poderá chover.
  3. Amanhã choverá com certeza.
  4. Está chovendo.
  5. Mesmo em Tóquio deve estar chovendo.
  6. Choveu aqui.
  7. Provavelmente deva ter chovido em Tóquio.

Nas frases em japonês anteriormente mostradas, veja que a forma verbal de 1 e 3 são idênticas, no entanto, ao traduzi-las para o português foi necessário situá-las em um tempo verbal determinado: presente e futuro. Sendo assim, pode-se dizer que o que marca o futuro na língua japonesa são os advérbios de tempo que remetem ao futuro.

Esse é somente um exemplo das diferenças entre o japonês e o português, nessas mesmas frases existem outras diferenças. Mas o que eu quero exemplificar aqui: é a vantagem de ler obras literárias de autores japoneses. Isso facilita muito o aprendizado e a compreensão da mensagem. O que vai auxiliar na interpretação de texto e comunicação na língua japonesa. 

Obras literárias

O Livro do Travesseiro (1002) - Sei Shônagan (966-1025)

Pouco se sabe sobre a vida da escritora Sei Shônagan, dama da corte imperial ou dama de acompanhamento da Imperatriz Teishi (Princesa Sadako), quinhentos anos antes do nosso país ser descoberto, exceto pelas descrições de seu próprio livro, uma espécie de diário da corte da época com notas, listas, impressões pessoais, eventos festivos e regras de bom comportamento em sociedade. São especialmente famosas as listas, tanto de belezas naturais como outras muito peculiares de coisas que fazem o coração bater mais rápido, coisas que não combinam, coisas que causam insegurança, coisas que são uma perda de tempo, etc. 

“O Livro do Travesseiro” foi traduzido diretamente do japonês e lançado no Brasil em 2013 pela Editora 34. Segundo a sinopse da Editora: “É composto por mais de trezentos textos que, lidos em sequência ou com a liberdade do acaso, compõem um inventário dos afetos, da sensibilidade e do conhecimento de uma época, filtrados pela ótica de uma escritora de talento excepcional.”

O Romance de Genji (1008) Murasaki Shikibu (978-1031)

Inédito no Brasil, foi lançado em Portugal pela Editora Relógio d’Água em 2008. Um dos mais antigos romances na forma literária como conhecemos hoje, foi escrito no início do século XI por uma cortesã chamada Murasaki Shikibu. Sua história relata a vida e os amores do Príncipe Genji e os afazeres de seus filhos e netos, refletindo a vida da corte japonesa no apogeu do período Heian (794–1185). Segundo a sinopse da Editora: “Foi o início de um período decisivo da história do Japão, marcado pela assimilação do legado espiritual da China e, em particular, do budismo. 

A civilização nipônica conheceu então, nas suas camadas aristocráticas, um período de sofisticação e cultura que viria a ser comparada com o Grand Siècle de Luís XIV mas que se prolongaria por quatrocentos anos.”

Não deixa de ser curioso como, em uma sociedade patriarcal como a do Japão feudal, os dois livros mais antigos conhecidos tenham sido escritos por mulheres.

Kappa (1905) Ryunosuke Akutagawa (1867-1916)

Ryunosuke Akutagawa teve uma vida muito curta (cometeu suicídio aos 35 anos), mas deixou um legado importante nas áreas de prosa e poesia. Foi considerado como o “Pai do conto japonês” e seus temas abordam o lado negro da natureza humana. A partir de 1935, empresta o seu nome ao prêmio literário mais importante do Japão. “Kappa” é uma coletânea de narrativas breves lançada no Brasil pela Editora Estação Liberdade. Segundo a sinopse da Editora: “mostra uma escrita potente, amarga, que trafega entre as culturas do Japão e do Ocidente, sempre refletindo sobre a inevitável tensão entre a vida e a arte. 

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Botchan (1906) - Natsume Soseki (1867-1916)

Um autor tão importante e estimado no Japão que a sua imagem aparece na cédula de 1000 yens. O seu estilo foi marcado pela influência ocidental, mas sempre valorizou a cultura tradicional nipônica. “Botchan” e outro livro importante de Natsume Soseki, “Eu Sou um Gato”, foram lançados no Brasil pela Editora Estação Liberdade. Segundo a sinopse da Editora: “Em Botchan, o personagem que dá título ao romance é um jovem professor de matemática de Tóquio que, aos 23 anos, aceita partir para uma localidade inóspita nos rincões do Japão, na ilha de Shikoku. 

Vai para a ilha de Shikoku, a fim de lecionar para aquela que será sua primeira turma de alunos ginasiais. Habilidade social não é o forte do protagonista, muitas vezes comparado ao Holden Caulfield de J. D. Salinger em O apanhador no campo de centeio.”

O Livro do Chá (1906) - Kakuzo Okakura (1863-1913)

“O Livro do Chá” foi escrito originalmente em inglês com o objetivo de levar a obra a um maior número de leitores. Segundo o posfácio de Hounsai Genshitsu Sen, incluído na edição lançada no Brasil pela Editora Estação Liberdade, a prática da cerimônia do chá é “a recusa deliberada de postergar nossa existência essencial como ser humano, com plena consciência da dificuldade e ao mesmo tempo da importância dessa tarefa”. É muito difícil para um ocidental entender o que está por trás de um ritual dessa natureza. A sinopse da Editora esclarece bem este ponto: “Trata-se de um texto reflexivo, que conduz o leitor, por meio da compreensão do cerimonial.

 Conduz a uma profundidade a princípio insuspeitada – por trás da cerimônia do chá estão o taoísmo, o zen, todo um arcabouço filosófico que é anterior à sua face ritualística. À fugacidade e ao imediatismo que norteiam o mundo industrializado, o autor estabelece como contraponto estético e filosófico a cerimônia do chá – um culto ao presente, sim, mas também a busca da perfeição por meio da repetição secular do mesmo ritual.”

Guerra de Gueixas (1917) - Nagai Kafu (1879-1959)

As gueixas simbolizam uma das imagens mais difundidas no ocidente da cultura japonesa, nem sempre com a devida correção. Elas estudam arte, dança e canto, e se caracterizam com trajes e maquiagem tradicionais. No Japão, a condição de gueixa é cultural, simbólica e repleta de status, delicadeza e tradição. No entanto, neste romance que foi censurado na época do lançamento, e publicado no Brasil pela Editora Estação Liberdade, “Nagai Kafu envereda por uma perspectiva bem mais realista, ele que foi um autor notoriamente influenciado pelo naturalismo francês.

A gueixa de Kafu não é meramente a criatura de coque, maquiagem e quimono fadada a ser apenas a companhia submissa para o deleite masculino. É a mulher capaz de amar, sofrer e se ressentir, evocando assim uma falibilidade humana que a faz ainda mais sedutora. Recorrendo a uma série de personagens secundários, entre escritores, atores, criadas e outros tipos, o autor compõe um painel instigante da Tóquio boêmia do início do século XX, reconstituindo com grande vivacidade a engrenagem de costumes e mecanismos das relações sociais de uma época.”

Musashi (1935) - Eiji Yoshikawa (1892-1962)

O romance, que foi sucesso de vendas no Brasil, é uma ficção sobre a vida de Miyamoto Musashi, o samurai mais famoso do Japão e autor do Livro dos Cinco Anéis. No Brasil foi publicado pela Editora Estação Liberdade com tradução de Leiko Gotoda. Segundo a sinopse da Editora: “Este romance épico baseado diretamente na história japonesa narra um período da vida do mais famoso samurai do Japão, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. O início é antológico: Musashi recupera os sentidos em meio a pilhas de cadáveres do lado dos vencidos na famosa batalha de Sekigahara, em 1600. Perambula a seguir em meio a um Japão em crise onde samurais condenados por senhores feudais ao desemprego e à miséria (os rounin), desbaratados, semeiam a vilania ditando a lei do mais forte.”

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Declínio de um Homem (1948) - Osamu Dazai (1909-1948)

Osamu Dazu é conhecido por seu estilo irônico e pessimista, normalmente em narrativas na primeira pessoa, incorporando elementos autobiográficos. Também ficou conhecido por sua obsessão com o suicídio, tema constante em seus livros e também em sua vida, visto que ele tentou o suicídio por diversas vezes e acabou sendo bem sucedido aos 38 anos juntamente com sua última mulher, Tomie Yamazaki, afogando-se no canal Tamagawa, em um local que ficava próximo de sua casa em Tóquio. Publicado no Brasil pela Editora Estação Liberdade. Segundo a sinopse da Editora: “A obra sintetiza em cenas e passagens notoriamente biográficas muitas das angústias que tanto alimentavam a personalidade autodestrutiva do autor, a saber: a dificuldade de entendimento com seus familiares, sua antissociabilidade niilista, seu patológico apego ao álcool — vício do qual nunca conseguiu se livrar —, sua autoestima inexistente, enfim, sua evidente sensação de deslocamento em relação ao mundo — como se tivesse sido enviado à existência por mero descuido.”

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

As irmãs Makioka (1949) - Junichiro Tanizaki (1886-1965)

Os leitores já familiarizados com os temas fortes explorados por Junichiro Tanizaki em outras obras, tais como: “Diário de um Velho Louco” e “Voragem”, temas como infidelidade, fetichismo e sadismo, certamente ficarão surpreendidos pelo ritmo lento e a delicadeza do autor neste romance que é uma homenagem à família e aos valores tradicionais da cultura japonesa. No entanto, deve-se destacar que nem sempre as quatro irmãs Makioka: Tsuruko, Sachiko, Yukiko e Taeko, conseguem se adequar às regras rígidas familiares e ao conflito entre tradição e modernidade, no Japão da época anterior à Segunda Grande Guerra. O romance gira em torno do objetivo comum da família Makioka de conseguir um pretendente para o casamento da terceira irmã Yukiko que, das quatro irmãs, é a que melhor representa a educação tradicional e os costumes, mas que, independente desta postura, já passa dos trinta anos sem ter conseguido este objetivo, devido a uma sucessão de negativas da família, orgulhosa de seu passado, para todas as oportunidades. Ler as resenhas completas do Mundo de K para os seguintes romances de Junichiro Tanizaki: “As irmãs Makioka”, “Diário de um velho louco”, “Voragem”.

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

O Pavilhão Dourado (1956) - Yukio Mishima (1925-1970)

Yukio Mishima foi um autor que levou ao limite extremo a relação entre literatura e realidade, tendo cometido o suicídio ritual dos samurais, seppuku, conhecido vulgarmente no ocidente como harakiri em uma cerimônia completa que foi concluída com a sua decapitação por um assistente. Ele é considerado, juntamente com Yasunari Kawabata (prêmio Nobel de 1968) e Junichiro Tanizaki, um dos grandes nomes da literatura japonesa moderna e universal. O primeiro sucesso de Yukio Mishima foi “Confissões de uma Máscara”, lançado em 1948, romance de teor autobiográfico em que um jovem homossexual precisa se esconder atrás de uma máscara para evitar as cobranças da rígida sociedade japonesa. O romance “O Pavilhão Dourado” é ambientado na região de Quioto, final da Segunda Guerra Mundial, sendo o Japão da época um país destruído, invadido e derrotado. Este sentimento de fracasso norteia o romance, narrado em primeira pessoa pelo jovem Mizoguchi, órfão de pai e aprendiz de sacerdote, que sofre um complexo de inferioridade insuperável devido à sua fragilidade física e, sobretudo, por ser tímido e gago. Ler a resenha completa do Mundo de K para o romance de Yukio Mishima: “O Pavilhão Dourado”.

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

A casa das Belas Adormecidas (1961) - Yasunari Kawabata (1899-1972)

Este “pequeno” romance é um dos grandes clássicos da literatura mundial no qual Yasunari Kawabata, prêmio Nobel de 1968, soube lidar com realismo e ao mesmo tempo extrema delicadeza, temas difíceis como a busca pela felicidade após a perda da juventude e polêmicos como a morte, perversão e sensualidade. Kawabata imaginou um estranho bordel onde homens de idade avançada podem passar as noites com jovens virgens, adormecidas sob o efeito controlado de narcóticos. Este livro inspirou outros autores a escrever sobre os sentimentos e a sexualidade na terceira idade como o colombiano Gabriel Garcia Marques em “Memória de minhas putas tristes” que aborda a impossível história de amor entre um ancião e uma jovem prostituta. Existe uma tendência nas sociedades do ocidente e oriente a ignorar e evitar o assunto do erotismo na idade da impotência, quando o desejo e a atividade sexual certamente ainda existem. Ler as resenhas completas do Mundo de K para os seguintes romances de Yasunari Kawabata: “A casa das Belas Adormecidas” e “Kyoto”.

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Uma Questão Pessoal (1964) - Kenzaburo Oe (1935 - )

Kenzaburo Oe recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1994 pela sua obra “que com força poética cria um mundo imaginado, onde a vida e o mito se condensam para formar o desenho desconcertante das dificuldades do homem de hoje”“Uma Questão Pessoal” foi publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras em 2003. Segundo a sinopse da Editora:“Em 1964, o romancista japonês Kenzaburo Oe recebia a notícia de que seu primeiro filho nascera com uma anomalia cerebral. É a mesma situação enfrentada pelo protagonista de Uma questão pessoal, o professor Bird. Aos 27 anos, ele leva uma vida mediana, bebendo pelos bares de Tóquio e sonhando com aventuras no distante continente africano. A gravidez da mulher acrescenta angústia ao cotidiano de Bird. A idéia de que será pai e chefe de família faz com que se sinta condenado à vida cotidiana. Para piorar, depois do parto, os pais descobrem que uma anomalia cerebral fará o menino ter uma vida vegetativa. Bird não suporta a possibilidade de se ver atrelado para sempre a um filho anormal. Passa, então, a desejar a morte da criança. Aos poucos, porém, Bird se dá conta de que a crise era uma oportunidade para percorrer um caminho de conquista da realidade, enfrentando os desafios de amadurecimento da vida adulta.”

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

O Rosto de um Outro (1964) - Kobo Abe (1924-1993)

Kobo Abe, romancista e dramaturgo do movimento da vanguarda japonesa do pós-Guerra, escreveu este livro que pode induzir uma (errada) impressão de simplicidade com base unicamente no resumo da trama principal. O protagonista e narrador é desfigurado por uma explosão em seu laboratório, o efeito devastador faz com que ele passe a viver com o rosto encoberto por bandagens, mas após sofrer a reação cruel da sociedade, recorre secretamente aos próprios conhecimentos científicos para construir uma máscara que passará a ser o seu novo rosto, no entanto a máscara acaba afetando a sua personalidade e induzindo um comportamento violento que foge ao controle. O argumento poderia até ser confundido com um típico roteiro de filmes de horror classe “B”, mas serve como ponte para uma análise difícil e perturbadora sobre o comportamento humano e a influência da aparência na identidade das pessoas. O leitor é orientado por três cadernos de diários que o protagonista sem nome escreve para a esposa contando todos os detalhes do processo de confecção da máscara e a transformação que ocorre no seu comportamento. Ler a resenha completa do Mundo de K para o romance de Kobo Abe: “O Rosto de um Outro”.

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Kitchen (1988) - Banana Yoshimoto (1964 - )

Mahoko Yoshimoto ou Banana Yoshimoto, como ficou mundialmente conhecida, é filha do filósofo e poeta Takaaki Yoshimoto. Ela soube utilizar com inteligência as referências culturais do ocidente em seus romances para falar dos problemas da juventude no Japão moderno e, juntamente com Haruki Murakami, foi uma das grandes responsáveis pela divulgação da literatura contemporânea japonesa. A autora, dona de um minimalismo Pop, se podemos definir assim, ainda é pouco conhecida no Brasil. “Kitchen”, primeiro livro de Yoshimoto, foi lançado originalmente em 1988 e publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, mas está fora de catálogo atualmente. A Editora Estação Liberdade já lançou da mesma autora “Tsugumi” em tradução de Lica Hashimoto. Ler as resenhas completas do Mundo de K para os seguintes romances de Banana Yoshimoto: “Kitchen”, “Tsugumi” e “The Lake” (inédito no Brasil).

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Do Outro Lado (1997) - Natsuo Kirino (1951 - )

Natsuo Kirino é considerada um das maiores autoras de suspense e narrativas policiais do Japão. Formada em direito, trabalhou em diversas áreas antes de se tornar escritora. “Do Outro Lado” ganhou o Grande Prêmio Japonês de Melhor Romance Policial e ficou entre os finalistas do Edgar Allan Poe de 2004. Foi publicado no Brasil pela Editora Rocco. Segundo a sinopse da Editora: “Aclamada por ultrapassar as convenções da literatura policial e surpreender com um romance realista, cortante e de ritmo cinematográfico, Natsuo Kirino expõe, neste premiado livro, as angústias e esperanças de quatro mulheres massacradas pela rotina de seu emprego e pela crise em suas vidas conjugal e familiar. Entremeado por cenas pesadas, costuradas por humor negro, Do outro lado é também uma emocionante narrativa sobre os motivos que conduzem essas mulheres aos seus extremos, e a amizade que nasce dessa situação-limite.”

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

O Museu do Silêncio (2000) - Yoko Ogawa (1962 - )

A premiada autora Yoko Ogawa já publicou mais de 40 livros de ficção e não ficção. “O Museu do Silêncio” foi lançado no Brasil no ano passado pela Editora Estação Liberdade. Esta matéria da Folha de São Paulo a coloca no nível de Murakami, Kawabata e Mishima, o que definitivamente não é pouca coisa. Segundo a sinopse da Editora: “Os museus têm como pressuposto guardar objetos de valor histórico ou científico para fins de exibição pública, de modo a registrar à posteridade a importância que eles tiveram para a humanidade num período determinado. Mas como seria no caso de um museu que tivesse como objetivo preservar lembranças de pessoas que morreram? (…) ‘O Museu do Silêncio’ é uma obra de suspense, bastante simbólica da produção de Yoko Ogawa, escritora japonesa contemporânea muito saudada no Ocidente. Sua literatura é excêntrica, preterindo tons e temas ternos e etéreos por aqueles mais duros e polêmicos, não raro flertando com o grotesco. Neste livro, ela também opta por ambientar a trama em tempo e local não identificados, o que contribui para diluir os eventuais estranhamentos culturais intrínsecos às suas origens nipônicas, e assim consolidar sua voz de alcance universal.”

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Não me Abandone Jamais (2005) - Kazuo Ishiguro (1954 - )

Este sexto romance do nipo-britânico, Nobel 2017, Kazuo Ishiguro, incluído na short list do Man Booker Prize de 2005 e adaptado para o cinema em 2010, é narrado em primeira pessoa por Kathy H. que relembra passagens de sua vida desde a infância no internato de Hailsham, em algum lugar do interior da Inglaterra, que está longe de ser uma escola normal, como descobrimos lentamente à medida que avançamos na descrição ingênua de Kathy do seu cotidiano com os amigos Ruth e Tommy. Os alunos em Hailsham não são verdadeiramente alunos, mas sim futuros doadores de órgãos, clones gerados e mantidos pela sociedade unicamente para esta finalidade, enquanto aguardam atingir a idade madura para iniciar o triste destino de doações e “completarem” o seu ciclo. A sequência de cirurgias e recuperações terá quantidade e extensão dependentes unicamente da resistência de cada doador. Na verdade, Ishiguro não está preocupado em detalhar a base científica dos procedimentos genéticos envolvidos nos processos de clonagem e doação, mas sim nos conflitos emocionais dos personagens ao se deparar com a fatalidade da sua situação no mundo. Ler a resenha completa do Mundo de K para o romance de Kazuo Ishiguro: “Não me Abandone Jamais” .

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Hell (2008) - Yasutaka Tsutsui (1934 - )

O inferno imaginado por Yasutaka Tsutsui é um lugar muito parecido com o mundo real, tanto assim que os personagens que chegam por lá nem parecem perceber que já não pertencem ao mundo dos vivos, exceto pela ausência de emoções e sentimentos negativos que costumavam acumular em suas existências passadas. Em nenhum momento fica claro para o leitor quais os critérios, religiosos ou morais, que definem a passagem para este lugar onde “convivem” gangsters da Yakuza, homens de negócios, atores ou simplesmente motoristas de taxi. Os personagens têm a capacidade de ler as mentes uns dos outros e presenciar momentos de suas vidas anteriores. Uma idealização do mundo das sombras sem a conotação de punição e sofrimento de outras obras da literatura. Na verdade, muito mais um purgatório no sentido ocidental do termo. Ler a resenha completa do Mundo de K para o romance de Kobo Abe: “Hell” (inédito no Brasil).

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

1Q84 (2009) - Haruki Murakami (1949 - )

É muito difícil escolher apenas um livro de Haruki Murakami, fico com 1Q84 pelo impacto que causou no mercado editorial na época do lançamento. O romance completo é extremamente ambicioso, tanto pela sua extensão de mil páginas quanto pela liberdade de estilo. Aqui no Brasil a decisão da editora foi respeitar o formato da publicação original japonesa em três volumes, diferente da tradução americana da editora Knopf que lançou todos os volumes em um único calhamaço. Alta velocidade narrativa, ritmo cinematográfico, misturando literatura policial noir com muito suspense e ficção científica, como sempre repleto de referências culturais ocidentais e orientais, estratégia que Murakami sempre conduziu muito bem em todos os seus livros anteriores e que o fazem um candidato permanente ao Nobel de literatura todos os anos. Ler as resenhas completas do Mundo de K para os seguintes romances de Haruki Murakami: “1Q84 – Livro 1”, “1Q84 – Livro 2”, “1Q84 – Livro 3”, “Caçando Carneiros”, “Homens sem Mulheres”, “Minha Querida Sputnik”, “O incolor Tsukuro Tazaki e seus anos de peregrinação”, “Sono”, “The Elephant Vanishes”.

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

A Valise do Professor (2012) - Hiromi Kawakami (1958 - )

Outra premiada autora japonesa pouco conhecida no Brasil. Este romance foi publicado em 2012 pela Editora Estação Liberdade. Segundo a sinopse da Editora: “Em ‘A valise do professor’, ganhador do Prêmio Tanizaki, um dos mais prestigiosos do Japão, a prosa entrecortada e sucinta de Hiromi Kawakami nos revela a mente confusa de uma mulher embaralhando cenas reais com sonhos, lembranças e reflexões no cotidiano amoroso e solitário na megalópole toquiota, tema recorrente da autora. Tsukiko tem quase 38 anos, trabalha em uma firma e nas horas vagas bebe no bar de Satoru. Nunca foi casada e aparentemente não se importa com isso. Leva uma vida calma e sem grandes emoções, até que passa a encontrar um professor do ensino médio no mesmo bar que frequenta.”

Entre os contos e novelas incluídos estão os importantes ‘Kappa’ (notável fábula sobre uma curiosa civilização perdida de kappas, seres humanóides do folclore japonês que vivem na água, narrada por um interno de um manicômio) e ‘Rashômon’, conto que inspirou Akira Kurosawa a fazer o filme homônimo.”

Subíndice

Artes no Japão

Historicamente, o Japão esteve sujeito a súbitas invasões de idéias novas procedentes do estrangeiro, seguidas por longos períodos de contato mínimo com o mundo exterior. Ao longo do tempo, os japoneses tem desenvolvido a habilidade de absorver, imitar e acabar por assumir os elementos da cultura estrangeira que serviam para complementar suas preferências estéticas. As manifestações artísticas mais antigas que se desenvolveram no Japão datam dos séculos VII e VIII e estão relacionadas com o budismo.

O Byodo-in, templo budista Amida de Uji, próximo a Kioto, foi concluído no ano de 1053. Nele, destaca-se o Ho-o-do (Salão da Fênix), que contém uma grande figura de Amida dourada em madeira, feita pelo escultor Jocho. O Ho-o-do foi, a princípio, uma casa de campo aristocrática. Em 1053, quando foi construído o resto do edifício, transformou-se em monastério.

O Byodo-in, templo budista Amida de Uji, próximo a Kioto

Japão Pintura

Pintura de Genji Monogatari, de Murasaki Shikibu

A pintura foi uma arte respeitada no Japão há muito tempo: o pincel é um instrumento de escrita e de pintura tradicional, por isso é natural o seu uso como ferramenta artística. A produção de papel foi introduzida no Japão, vinda da China, por volta do século VII por Damjing e alguns monges de Goguryeo. Mais tarde, o papel tradicional washi foi desenvolvido a partir do papel chinês. Técnicas de pintura japonesa ainda estão em uso nos dias de hoje, bem como técnicas adaptadas da Ásia continental e do Ocidente.

A pintura foi uma arte respeitada no Japão há muito tempo: o pincel é um instrumento de escrita e de pintura tradicional, por isso é natural o seu uso como ferramenta artística.

A produção de papel foi introduzida no Japão, vinda da China, por volta do século VII por Damjing e alguns monges de Goguryeo. Mais tarde, o papel tradicional washi foi desenvolvido a partir do papel chinês. Técnicas de pintura japonesa ainda estão em uso nos dias de hoje, bem como técnicas adaptadas da Ásia continental e do Ocidente.

Japão Caligrafia

A língua japonesa, fluída e escrita com pincel, levou ao desenvolvimento de uma complexa técnica de caligrafia. A arte caligráfica costuma ser muito esotérica para as exposições do ocidente, além da exposição geral ser muito limitada. 

Entretanto, nos países do leste asiático a produção gráfica de um texto é vista como uma forma de arte tradicional, bem como um jeito de transmitir informações por escrito. A obra escrita pode consistir de frases, poemas, histórias ou apenas simples ideogramas. 

O estilo e o formato da escrita podem imitar conceitos subjetivos, até mesmo o ponto da textura e a velocidade das pinceladas. Pode-se gastar mais de cem tentativas para produzir um efeito desejado em um único ideograma, mas o processo de criar a obra é considerado uma arte em si mesma, além do próprio produto final.

Essa forma de caligrafia é conhecida como Shodô (書道), que literalmente significa o jeito de escrever ou caligrafia, ou mais conhecido como Shuji (習字), aprendendo a escrever ideogramas.

O Shodō (書道, “Caminho da escritura”) é a caligrafia japonesa. É considerada uma arte e uma disciplina muito difícil de perfeicionar e é ensinada como uma matéria a mais às crianças japonesas durante a sua educação primária. Provém da caligrafia chinesa e é praticado no estilo antigo, com um pincel, um tinteiro onde se prepara a tinta nanquim, pisa-papel e uma folha de papel de arroz. Atualmente também é possível usar um fudepen, pincel portátil com depósito de tinta. O shodō pratica a escritura dos caracteres japoneses hiragana e katakana, assim como os caracteres kanji, os caracteres chineses. 

Exemplo de caligrafia contemporânea: Primeiro vento de primavera (春一番 haruichiban) por Keisui Ishikazi

Atualmente existem calígrafos que são contratados para a elaboração de documentos importantes. Além de exigir alta precisão e graça pelo calígrafo, cada caractere dos kanji devem ser escritos segundo uma ordem de traços específica, o que aumenta a disciplina necessária daqueles que praticam esta arte.

Sumi-ê, Suiboku-ga ou Shuimohua Exemplo de Sumi-ê, arte de Hasegawa Tōhaku

É comum confundir a caligrafia com a forma de arte conhecida como Sumi-e, que literalmente significa pintura com tinta, sendo a arte de pintar uma cena ou um objeto. Sumi-ê (em japonês: 墨絵) a palavra tem raiz japonesa e significa pintura com tinta.

Seu conceito não tem ligação com a pintura praticada no ocidente. Primeiro porque a arte do sumi-ê é uma mistura de desenho com elementos de caligrafia, que também é uma arte para os orientais. Segundo, porque o artista deve passar sua mensagem de modo resumido e sem equívocos. Daí dizer-se que é a arte do essencial. 

Talvez para atingir essa simplicidade que o sumi-ê é basicamente monocromático. Assim como o desenho, o material usado pelo artista é bem limitado: pincéis, uma tinta especial parecida com o nanquim e papel artesanal à base de arroz.

A representação do tema importa menos do que a composição do trabalho. Na composição, que segue regras bastante rígidas, o artista revela sua alma, a elegância do traço e principalmente a harmonia que deve existir no seu interior.

No Brasil, provavelmente o introdutor da arte do sumi-ê foi Massao Okinaka (Kioto, 27 de março de 1913 — São Paulo, 28 de julho de 2000). Pintor, desenhista e professor nascido no Japão que decidiu radicar-se na capital paulista e aí exercer sua atividade artística. Iniciou os estudos de arte no Japão. Cursou a Escola de Belas Artes de Kansai, onde teve como professores Kuroda Jyutaro e Narahara Kenzo. Com Onishi Kakyo aprende os fundamentos da arte denominada sumi-ê que introduziu e divulgou no Brasil.

Massao Okinaka - Pintor, desenhista e professor

Japão Escultura

As esculturas tradicionais japonesas consistiam principalmente de imagens budistas, tais como Tathagata, Bodisatva e Myo-o. A escultura mais antiga do Japão é uma estátua de madeira de Amitaba, no templo Zenko-ji. 

No período Nara, estátuas budistas foram construídas pelo governo nacional a fim de aumentar o seu prestígio. Há exemplos disso, nos dias de hoje, em Nara e Kyoto, com uma colossal estátua de bronze de Buda Vairochana, no templo Todai-ji.

A madeira era tradicionalmente usada como o principal material no Japão, como pode ser observado na arquitetura japonesa tradicional. 

As estátuas eram geralmente cobertas com ouro ou uma tinta opaca ou brilhante, havendo alguns pequenos traços em sua superfície. Bronze e outros metais também eram usados. Outros materiais, como pedras e cerâmica, tiveram um papel importante nas crenças do povo.

Japão Escultura

As esculturas tradicionais japonesas consistiam principalmente de imagens budistas, tais como Tathagata, Bodisatva e Myo-o. A escultura mais antiga do Japão é uma estátua de madeira de Amitaba, no templo Zenko-ji. 

No período Nara, estátuas budistas foram construídas pelo governo nacional a fim de aumentar o seu prestígio. Há exemplos disso, nos dias de hoje, em Nara e Kyoto, com uma colossal estátua de bronze de Buda Vairochana, no templo Todai-ji.

A madeira era tradicionalmente usada como o principal material no Japão, como pode ser observado na arquitetura japonesa tradicional. 

As estátuas eram geralmente cobertas com ouro ou uma tinta opaca ou brilhante, havendo alguns pequenos traços em sua superfície. Bronze e outros metais também eram usados. Outros materiais, como pedras e cerâmica, tiveram um papel importante nas crenças do povo.

Japão Influência na cultura

Com a chegada dos navios negros da Era Meiji até o final do século XIX, quando recebe uma enorme influência cultural estrangeira que se torna ainda mais forte após o fim da Segunda Guerra Mundial. Como resultado, uma cultura distintivamente diferente do resto da Ásia desenvolveu-se, e resquícios disso ainda existem no Japão contemporâneo.

No último século, a cultura japonesa foi também influenciada pela Europa e pela América. Apesar dessas influências, o Japão gerou um estilo único de artes (ikebana, origami, ukiyo-e), técnicas artesanais (bonecas, amigurumi, objetos lacados, cerâmica), espetáculo (dança, buyôkabuki, noh, raku-go, Yosakoi, Bunraku), música (Sankyoku, Joruri e Taiko) e tradições (jogos, onsen, sento, cerimónia do chá), além de uma culinária única.

Japão Artes

Ikebana - Iquebana

A iquebana é originária da Índia, onde os arranjos eram destinados a Buda, e se personalizou na cultura nipônica, que a tornou mais conhecida. Em contraste com a forma decorativa de arranjos florais que prevalece nos países ocidentais, o arranjo floral japonês cria uma harmonia de construção linear, ritmo e cor. Enquanto que os ocidentais tendem a pôr ênfase na quantidade e no colorido das cores, dedicando a maior parte da sua atenção à beleza das corolas, os japoneses enfatizam os aspectos lineares do arranjo. A iquebana é originária da Índia, onde os arranjos eram destinados a Buda, e se personalizou na cultura nipônica.

Em contraste com a forma decorativa de arranjos florais que prevalece nos países ocidentais, o arranjo floral japonês cria uma harmonia de construção linear, ritmo e cor. Enquanto que os ocidentais tendem a pôr ênfase na quantidade e no colorido das cores, dedicando a maior parte da sua atenção à beleza das corolas, os japoneses enfatizam os aspectos lineares do arranjo. A arte foi desenvolvida de modo a incluir o vaso, caules, folhas e ramos, além das flores. 

A estrutura de um arranjo floral japonês está baseada em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, embora outras estruturas sejam adaptadas em função do estilo e da escola. Dentre os mais diversos estilos de iquebana, destaca-se a Academia de Ikebana Sanguetsu. 

Esse estilo busca representar uma forma de se chegar ao equilíbrio, à simplicidade e à beleza. O sanguetsu, que tem, como princípio básico, o sentimento de respeito à natureza que norteou a vida de Mokiti Okada, cria composições capazes de refletir a beleza natural das flores em sua forma mais pura, levando alegria e paz às pessoas que apreciam os arranjos.

Origami

Origami (do japonês: 折り紙, de ori, “dobrar”, e kami, “papel”) é a arte tradicional e secular japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la.

O origami usa apenas um pequeno número de dobras diferentes, que, no entanto, podem ser combinadas de diversas maneiras, para formar desenhos complexos. Geralmente, parte-se de um pedaço de papel quadrado, cujas faces podem ser de cores ou estampas diferentes, prosseguindo-se sem cortar o papel. 

Ao contrário da crença popular, o origami tradicional japonês, que é praticado desde o Período Edo (1603-1868), frequentemente foi menos rígido com essas convenções, permitindo até mesmo o corte do papel durante a criação do desenho, ou o uso de outras formas de papel que não a quadrada (retangular, circular etc.). 

Segundo a cultura japonesa, aquele que fizer mil grous de origami (Tsuru, “grou”) teria um pedido realizado – crença esta popularizada pela história de Sadako Sasaki, vítima da bomba atômica.

Ukiyo-e - ukiyo-ye - ukiyo-ê

Ukiyo-e, ukiyo-ye ou ukiyo-ê (浮世絵, “retratos do mundo flutuante”, em sentido literal), vulgarmente também conhecido como estampa japonesa, é um gênero de xilogravura e pintura que prosperou no Japão entre os séculos XVII e XIX. Destinava-se inicialmente ao consumo pela classe mercante do período Edo (1603 – 1867). 

Entre as mais populares temáticas abordadas, estão a beleza feminina; o teatro kabuki; os lutadores de sumô; cenas históricas e lendas populares; cenas de viagem e paisagens; fauna e flora; e pornografia.

Alguns dos artistas devotaram-se à pintura, mas a maioria era composta por gravuristas. Tais indivíduos raramente talhavam seus próprios blocos de impressão. Em vez disso, a produção era dividida entre o artista, que criava a obra; o talhador, que gravava a arte nos blocos; o impressor, que pintava e prensava os blocos nos washis; e o publicador, que financiava, promovia e distribuia os trabalhos. 

Por ser uma atividade artesanal, gravuristas podiam dominar e empregar uma grande variedade de efeitos a partir de diferentes técnicas impraticáveis na produção mecanizada, como a criação de gradações de cor, por exemplo.

O gênero foi um elemento nuclear para a formação da percepção ocidental a respeito da arte do Japão ao final do século XIX, especialmente a partir das paisagens de Hokusai e Hiroshige. Na década de 1870, o japonismo tornou-se uma proeminente tendência e foi grande influência aos primeiros impressionistas, como Edgar Degas, Édouard Manet e Claude Monet. Bem como aos pós-impressionistas, tais quais van Gogh, e a artistas da art nouveau, entre eles Henri de Toulouse-Lautrec. 

O século XX assistiu a um renascimento da xilogravura japonesa, com a vertente shin-hanga a crescer em termos de interesse no ocidente com suas cenas tradicionais da cultura nipônica combinadas a referências ocidentais e o movimento sōsaku-hanga a pregar o individualismo de produção enquanto caminho criativo único para a expressão do eu. 

As culturas legatárias do ukiyo-e, desde o final do século XX, continuam em tal veia individualista e vêm sendo também concebidas a partir de técnicas importadas do mundo ocidental, como a serigrafia, a água-forte e o mezzo tinto.

Japão Técnica artesanais

Bonecas - Ningyoo

No Japão, as bonecas são chamadas de Ningyoo, não sendo apenas brinquedos infantis; elas são um símbolo da história dos costumes do país. Em datas específicas, elas são tema da ornamentação nas residências japonesas. No dia 3 de março se comemora o Dia das Meninas, e as bonecas são expostas na sala de visita, em um altar de cinco andares onde as figuras do casal imperial estão no topo do altar. O dia 5 de maio é o Dia dos Meninos, cujos bonecos guerreiros simbolizam força e bravura.

Os primeiros bonecos japoneses foram os Haniwa, estatuetas de barro encontradas em tumbas pré-históricas. Inicialmente elas eram muito simples, moldadas em palha ou papel. Posteriormente passaram a ser feitas de madeira, cerâmica, mármore e argila.

No período Heian (794 – 1185) as bonecas eram usados para afastar demônios. No período Nara (710 – 794) as bonecas sofreram a influência chinesa e passaram a ter roupas de seda, usar dourado e tinham o penteado sokei, que se caracteriza pelo excesso de adereços. No período Kamakura (1192 – 1333), o xogunato que prevalecia no país por causa das constantes guerras fez com que as mulheres substituíssem os pesados quimonos por trajes mais simples, e isso se refletiu também nas bonecas. No período Edo (1603 – 1868), surgiram as karakuri, bonecas que tocavam instrumentos e dançavam através de um sistema simples de cordas retorcidas, roldanas e fios.

As bonecas começaram a ser usadas no teatro Noh em 45 d.C., para homenagear os atores e personagens de maior destaque. O mesmo ocorreu com o teatro Kabuki, quando as bonecas foram criadas com os mínimos detalhes de vestimenta e maquiagem. Existem também os bonecos Gosho, que representam bebês homens roliços, pele muito clara, cabeça grande e que carregam um peixe.

Amigurumi

Bonecas de Amigurumi

Amigurumi (編みぐるみ “bicho de pelúcia feito de crochê”) é uma técnica japonesa para criar pequenos bonecos feitos de crochê ou tricô. A criação de bonecos de crochê, apesar de costume milenar, ressurgiu no Japão apenas nos anos 80 acompanhando o mercado que tinha como foco jovens do sexo feminino que inundava prateleiras com produtos como a boneca Hello Kitty. A prática se popularizou e em 10 de Janeiro de 2002 com a criação da associação japonesa e a popularização da cultura japonesa ao redor do mundo, principalmente no Brasil.

O Amigurumi faz tanto sucesso no Brasil e no Japão que muitas pessoas aprenderam o a técnica e se tornaram artesãs. E hoje em dia, ganham o seu sustento e sustentam as suas famílias com a venda de bonecas de amigurum. Outras pessoas que gostam de artesanato estão aprendendo a técnica para deixar os seus empregos e trabalharem com que gostam. No curso, “Amigurumi Crochê”, além de ensinar a técnica para fazer vários modelos, ensina como vender e tornar o seu artesanato em um negócios lucrativo.

O Amigurumi Crochê  é um curso desenvolvido para te convidar a fazer parte desse maravilhoso universo. Além de ensinar como ganhar dinheiro fazendo o que você gosta. Se você gosta da cultura japonesa e gosta de amigurumi, veja o artigo relacionado abaixo sobre a oportunidade Amigurumi Crochê.

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O amigurumi é constituído de formas geométricas, geralmente com cabeça e tronco em forma de esfera e membros cilíndricos. O corpo enfatiza olhos e cabeça grandes, com tronco mediano e membros desproporcionalmente pequenos. Cabeças podem ou não conter narizes e boca, com grande variedade nos materiais que podem ser usados para os olhos. 

Artesanato Japonês - Boneca Amigurumi

Laca - Shiki

Laca (Shiki) é um artesanato feito por pintura de laca sobre madeira, papel, entre outros materiais. Existem várias aplicações de itens do dia-a-dia a itens de alta qualidade, pratos, netsuke ou carrocerias. Em sentido restrito, significa “louça de mesa pintada com laca”, mas não é pego. Pintando a laca na superfície, o equipamento durará muito mais tempo.

Artesanato Japonês - Objetos Lacados

A seiva processada que pode ser obtida de Urushi é chamada de verniz, e é processada em um substrato (Kiji: “madeira” se o material for madeira) no processo de aterramento, processo de pintura e o procedimento deve ser de 30 a 40 em detalhes Vou terminá-lo para laca. Este processo é chamado de lacagem e cada um tem um nome, e há uma grande variedade de lacados que foram concebidos de acordo com as áreas de produção.

A laca originou-se na China e a tecnologia foi transmitida do continente para o Japão juntamente com a madeira lacada. Das ruínas de Gakinoshima, foi encontrado cerâmica do período Jomon, além de ornamentos processados com fio impregnado com verniz vermelho, nota pintada a laca pintada com laca vermelha em verniz preto. Como resultado da análise pelo método de datação por carbono radioativo (C14), os ramos de laca escavados na prefeitura de Fukui (Torihama) foram confirmados como sendo os mais antigos do mundo, cerca de 12600 anos atrás.

Os substratos usados incluem madeira bem seca, bambu, papel, metal e assim por diante, e resinas sintéticas também são usadas hoje em dia. Além disso, está mudando com o tempo, como o desenvolvimento de tecnologia para melhorar o brilho e a força, misturando nanofibras de celulose (CNF) em verniz .

Cerâmica - Porcelana

Cerâmica Japonesa

As cerâmicas apareceram nos primeiros estágios da história da humanidade. Aproximadamente até o século 5, no Japão, as cerâmicas eram queimadas a temperaturas de 500 ou 600 graus. No século 6, chega da Coréia um método de produção com temperatura mais alta. Nele, as cerâmicas são queimadas com lenha durante muito tempo numa caverna. A temperatura interior chega a mais de 1300 graus e ocorre o chamado fenômeno Shizenyû, a cristalização do feldspato e quartzo que compõem a argila.

A partir do século 8, esse método de produção propaga-se às várias regiões do Japão. Destaque para as cerâmicas Bizen de Okayama, Echizen de Fukui, Tanba de Quioto, Shiragaki de Shiga e Seto e Tokoname de Aichi.

Yûyaku é um produto vitrificado que cobre a cerâmica e previne a absorção da água pela mesma. Essa espécie, originária do Egito, foi introduzida na China na época de Kan e posteriormente no Japão. Graças a esse produto, surge, no século 8, em Nara, a Narasansai, uma bela cerâmica com três cores.

No século 13, na era Kamakura (1185~1333), os japoneses começam a aprender, com a cerâmica chinesa, a técnica de produção mais avançada. A partir dela se estabeleceu na região Seto de Aichi a famosa cerâmica Koseto. Quando da chegada da era Azuchi-Momoyama (1573~1598), essa linhagem transfere o seu palco principal para região Mino (atual sul de Gifu), originando-se daí as cerâmicas japonesas típicas como Kiseto, Shino e Oribe.

No final da mesma era, o general Hideyoshi Toyotomi envia tropas para a Coréia. Isso ajudou a melhoria da qualidade da cerâmica japonesa. Afinal, bons artesãos passaram a morar em regiões de Kyushu e produzir os fornos de grande escala. Finalmente eles se tornam criadores das famosas cerâmicas como Hagi-yaki de Yamaguchi, Karatsu-yaki de Saga e Satsuma-yaki de Kagoshima.

Sanbê Kanegae, que se mudou para cidade Karatsu de Saga, descobriu uma jazida de porcelana branca. Utilizando esse produto, ele conseguiu produzir as porcelanas tingidas.

Entre os meados dos séculos 17 e 18, durante 100 anos, as porcelanas com desenhos coloridos que foram exportados do porto Imari para Europa e Ásia chegaram a aproximadamente dois milhões de unidades. Elas foram transportadas pelo navio da companhia de índias ocidentais e passaram pelas mãos dos reis e da classe nobre desses países.

Porcelana Japonesa Imari (Imagem cortesia do Museu do Palácio Nacional, Taipei)

Japão Espetáculo

Dança Japonesa

“Dança japonesa” … É uma arte integrada que integra o senso de valores como “Beleza”, “Wabi”, “Espaço” e “Shading” que a cultura japonesa possui. Enfim, na sociedade moderna, onde eficiência e eficiência são primordiais, olhando para o ponto de partida da cultura japonesa que não deve ser perdida, sob os três pilares do “Japão”, “tradição” e “mundo”

Buyô - Nichibu

Buyō (舞 踊), ou Nichibu (日 舞) abreviação de buyō Nihon / Nippon buyō (日本 舞 踊) que significa dança japonesa, refere-se a uma arte performática tradicional japonesa que pode ser uma mistura de dança e pantomima. Começa com as primeiras tradições de dança, como mai e odori, com grande desenvolvimento no início do período Edo (início do século XVII), na forma de danças de kabuki, que incorporavam elementos dos gêneros de dança mais antigos. 

Enquanto realizado independentemente por especialistas, é particularmente visível como o estilo de dança realizado por gueixas. O termo buyō no entanto é uma moeda moderna durante o período Meiji como um termo geral para “dança”. Antes disso, a dança era geralmente referida por vários gêneros de dança, como mai e odori. O termo é uma combinação de mai (舞, que também pode ser pronunciado bu) e odori (踊, também pode ser pronunciado yō).

Kabuki - cabúqui

A fundadora do teatro Kabuki, Izumo no Okuni

Kabuki (歌舞伎) ou cabúqui é uma forma de teatro japonês, conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquilhagem utilizada pelos seus atores. O significado individual de cada ideograma é canto (ka) (歌), dança (bu) (舞) e habilidade (ki) (伎), e por isso a palavra kabuki é por vezes traduzida como “a arte de cantar e dançar”. Esses ideogramas, entretanto, são o que se chamam de ateji (ideogramas usados apenas com sentido fonético) e não refletem a mesma etimologia da palavra. 

Acredita-se, de fato, que o kabuki derive do verbo kabuku, significando aproximadamente “ser fora do comum”, donde se depreende o sentido de teatro de “vanguarda” ou teatro “bizarro”. A sua origem remonta ao início do século XVII, quando se parodiavam temas religiosos com danças de ousada sensualidade. No ano de 1629, esse tipo de teatro foi proibido pelo governo. O espetáculo passou a ser encenado então por rapazes que interpretavam papéis femininos. Contemporaneamente, o teatro kabuki tornou-se um espectáculo popular que combina realismo e formalismo, música e dança, mímica, encenação e figurinos, implicando numa constante integração entre os atores e a platéia.

Desde 2008 que o teatro Kabuki integra a lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Nô, nô, nou - noh - nôgaku

Nō, nô, nou ou noh (能 “habilidade”, “talento”) ou ainda nōgaku (能楽 “talento” que vem com facilidade) é uma forma clássica de teatro profissional japonês que combina canto, pantomima, música e poesia. Executado desde o século XIV, é uma das formas mais importantes do drama musical clássico japonês.

Evoluiu de outras formas teatrais, aristocráticas e populares, incluindo o Dengaku, Shirabyoshi e Gagaku. O termo nō deriva da palavra japonesa que quer dizer talento ou habilidade. Muitas de suas personagens usam máscaras, os shites (protagonista) e seu acompanhante, mas não todas. Suas raízes podem ser encontradas no nuóxì (儺戲), uma forma de teatro da China. Deu origem a outras formas dramáticas, como o Kabuki.

Um dos seus mais importantes dramaturgos é Zeami Motokiyo (1363-1443). Zeami também deixou tratados sobre a arte de interpretar.

Rakugo

Rakugo é um entretenimento japonês baseado em monólogos humorísticos, cujas origens datam do século XVII. O humorista (Rakugoka) apresenta-se sempre em solo, sentado num tatame sobre o palco (chamado Koza) e munido apenas de um leque de papel. 

Em geral as histórias contadas envolvem longos diálogos entre dois ou mais personagens, sendo que a alternância das falas é percebida pelo espectador apenas em função do tom de voz do ator, ou de um leve movimento com a cabeça.

Rakugo significa, literalmente, “palavras caídas”. O gênero humorístico foi conhecido originalmente como karukuchi (piadas), adquirindo a atual denominação a partir do Período Meiji (1867–1912).

Yosakoi

Yosakoi (よさこい?) é um estilo único de dança que surgiu no Japão. O Yosakoi começou na cidade de Kochi, em 1954, como uma versão moderna do Awa Odori, uma tradicional dança de verão. O estilo de dança do Yosakoi espalhou-se por grande parte do país. 

É uma dança altamente energética, combinando movimentos de dança japoneses mais tradicionais com música moderna. Normalmente, as coreografias são realizadas por grandes equipes que as treinam exaustivamente. 

Além de contar com várias escolas profissionais de yosakoi e times de dança da vizinhança, ele é também um evento popular durante os festivais de esporte promovidos pelas escolas primárias e colégios. Participam homens e mulheres de quase todas as idades, às vezes em um único time. No dialeto de Tosa (atualmente a província de Kochi), yosakoi significa ‘’Venha à noite’’.

Bunraku - Ningyō Jōruri

Bunraku - Ningyō Jōruri

O bunraku, também conhecido como Ningyō jōruri (人形浄瑠璃) é uma forma de teatro de bonecos japoneses, e é uma herança da cultura popular que serve para contar as histórias do Japão antigo. Com movimentos quase humanos e vestidos com quimonos, os bonecos se transformam em verdadeiros atores no palco. Ao fundo, o som do shamisen marca o compasso da narrativa e o movimento dos bonecos dá a impressão de que têm vida própria. Desde 2008 que o teatro de marionetas Ningyo Johruri Bunraku integra a lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Japão Música

Sankyoku

Sankyoku (三 曲 /さ ん き ょ く ) é uma forma de música de câmara japonesa tocada frequentemente com um acompanhamento vocal. É tradicionalmente tocada em shamisen , koto e kokyū , mas mais recentemente o kokyū foi substituído por shakuhachi.

Gravura que representa Sankyoku

Taiko

Apresentação de Taiko

Taiko (太鼓) engloba uma variedade de instrumentos japoneses de percussão. No Japão, o termo refere-se a qualquer tipo de tambor, mas fora do Japão, o termo é geralmente usado para se referir a qualquer um dos vários tambores japoneses chamados de wadaiko (和太鼓) e a forma de apresentação o taiko chamada de kumi-daiko (組太鼓”coleção de tambores”). 

O processo de construir taiko varia entre os produtores, mas a maioria inclui a confecção e definição da força do corpo do tambor, escolhendo uma superfície para a pele do tambor e cuidadosamente esticando a superfície acima do tambor para criar uma tensão apropriada.

Uma história mitológica sobre a origem do taiko aparece no “Nihon Shoki”. De acordo com o mito, o taiko se originou da deusa xintoísta “Ame no Uzume”, a deusa do raio de sol, “Amaterasu”, e seu irmão “Susanoo”, o deus dos mares e das tempestades.

Em uma interpretação, “Susanoo” repentinamente tornou-se nervoso e trouxe sua raiva do mar para a terra. Sua irmã, “Amaterasu”, estava tão brava com a situação que fugiu para uma caverna e a selou com uma pedra, recusando-se a sair. 

Os outros deuses se reuniram e sabiam que sem o raio de sol a vida na Terra se deterioraria e morreria. Assim, eles tentaram muitas formas de trazer “Amaterasu” para fora implorando, ameaçando e até mesmo tentando mover fisicamente a pedra, mas ele não tiveram sucesso.

Finalmente, a antiga deusa “Ame no Uzume”, que tinha a aparência de uma velha senhora, deu um passo à frente e afirmou que poderia trazer “Amaterasu” para fora da caverna. Apesar de ser ridicularizada pelos outros deuses por sua aparência envelhecida, ela prosseguiu com seu plano. 

“Ame no Uzume” esvaziou um barril de saquê e pulou em cima do barril, pisando nele furiosamente para criar ritmos percussivos. Os deuses ficaram tão comovidos por essa música que eles só conseguiam dançar e cantar. 

A celebração se tornou tão barulhenta que “Amaterasu” espreitou para fora da caverna e, ao ver a cena alegre, trouxe a luz de volta para o mundo e baniu “Susanoo”. Desse modo, a música do taiko teria surgido da performance de “Ame no Uzume”.

Cerimônia do chá - chanoyu - chadô - sadô

A cerimônia do chá japonesa (chanoyu 茶の湯, lit. “água quente [para] chá”; também chamada chadō ou sadō, 茶道, “o caminho do chá”) é uma atividade tradicional com influências do Taoísmo e Zen Budismo, na qual chá verde em pó (matcha, 抹茶) é preparado cerimonialmente e servido aos convidados. O matcha é feito da planta chamada chá, Camellia sinensis. Os encontros de chanoyu são chamados chakai (茶会, “encontro para chá”) ou chaji (茶事, “assuntos do chá”). 

Normalmente o termo chakai refere-se a um evento relativamente simples no qual se oferecem doces típicos, usucha (chá suave), e talvez tenshin (um aperitivo), já chaji refere-se a um evento mais formal, incluindo também uma refeição tradicional (kaiseki) e koicha (chá forte). Um chaji completo pode durar até quatro horas.

O praticante de cerimônia do chá precisa ter conhecimento de uma ampla gama de artes tradicionais que são parte integral do chanoyu. Incluindo o cultivo e variedades de chá, vestimentas japonesas (kimono), caligrafia, arranjo de flores, cerâmica, etiqueta e incensos. Além dos procedimentos formais de seu estilo de chanoyu, que podem passar de uma centena. Assim, o estudo de cerimônia do chá praticamente nunca termina. Mesmo para participar como convidado em uma cerimônia formal é preciso conhecer os gestos e frases pré-definidos, a maneira apropriada de portar-se na sala de chá, e como servir-se de chá e doces.

Bonsai - bon-sai

Bonsai (japonês: 盆栽, bon-sai) significa “cultivado, plantado em bandeja ou vaso”. Ao contrário do que muitos pensam o ideograma não contém a palavra árvore 木 (Ki). Um bonsai precisa ter outros atributos além de simplesmente estar plantado num vaso raso e pequeno. A planta deve ser uma réplica de uma árvore da natureza em miniatura. Deve simular os padrões de crescimento e os efeitos da gravidade sobre os galhos, além das marcas do tempo e estrutura geral dos galhos. Essencialmente é uma obra de arte produzida pelo homem através de cuidados especializados.

O Bonsai não se trata de uma espécie vegetal específica, mas sim de uma técnica utilizada em árvores com o objetivo de “miniaturizá-la” inspirando-se em formas existentes na natureza. Não há árvore de Bonsai, mas árvores que se transformam pelo processo de Bonsai. Na prática, é a arte de selecionar e transformar árvores que tenham potencial para se assemelhar a uma réplica na natureza.

Através da observação percebe-se que as árvores têm tendências de comportamento e estilos próprios. Também encontramos uma classificação de estilos de bonsai e formas mais tradicionais baseado no estilo natural das árvores. Suas principais categorias se baseiam principalmente nas formas e no número total de árvores na composição.

Guia da Cultura Japonesa [ATUALIZADO]
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