Gravidez na adolescência

Please enter banners and links.

Saúde dos Jovens e Adolescentes

A gravidez na adolescência tem no Brasil uma das mais altas incidências do mundo

A maior parte das gestações neste faixa etária não foi planejada ou é indesejada. De acordo como relatório divulgado pelo UNFPA – Fundo de População das Nações Unidas, vários casos de gravidez na adolescência decorrem de abusos na infância e violência sexual, ou são resultados de uniões conjugais precoces, geralmente com homens mais velhos. 

Riscos e desafios da gravidez na adolescência

A adolescência, período que compreende as idades entre os 10 e 19 anos, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, é um estágio da vida em que o corpo passa por inúmeras transições, sejam elas hormonais, psicológicas e anatômicas.

“Especialistas afirmam que danos vão desde a saúde mental da gestante, à nutrição da jovem e do feto, e inserção no mercado de trabalho no futuro”.

Saúde e Bem Estar você encontra aqui

Veja também

Câncer o que é

Saúde

O que é o câncer?

Publicidade

Veja o vídeo que revela como pessoas comuns estão perdendo "No Mínimo" 21 Kg em 60 dias

De acordo com a pediatra Evelyn Eisenstein, membro do Departamento Científico de Adolescência da SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria, as jovens passam por situações de vulnerabilidade quanto à saúde mental e emocional para adolescentes abaixo dos 15 anos. 

A situação fica ainda mais complicada, pois as adolescentes que estão em fase de crescimento, podem ter deficiência nutricional durante a gestação, já que competem com o feto pelo aproveitamento dos nutrientes ingeridos.

Evelyn ressalta que há possibilidade de desenvolver casos graves de anemia, diabetes gestacional, pré-eclampsia – hipertensão durante a gravidez. Entre outros problemas que esse contato sexual, que pode ou não resultar uma gestação, existe a possibilidade de infecção por IST’s – Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Segundo a ginecologista Ana Carolina Pereira, membro da FEBRASGO – Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, o útero dessa adolescente ainda não está completamente formado até os 18 anos de idade, não estando totalmente maduro para receber um embrião.

Um dos principais problemas apontados por ambas as especialistas é o apoio que essa jovem receberá, tanto de sua família, quanto do pai da criança. 

“É importante lembrar que aquela adolescente não engravidou sozinha. Ela foi engravidada. A gravidez na adolescência deve ser prevenida também por parte do garoto nessa idade, ou pelo homem mais velho que engravidou essa menina”, afirma Evelyn.

Veja também

Publicidade

Cinta que evita a distensão abdominal, protege a coluna e melhora a postura

Saúde

Balança das causas do câncer e mais onze dicas para prevenir e combater o câncer

No Rio de Janeiro, o Dossiê Mulher registra que quase 7 em cada 10 casos de violência sexual ocorreram dentro de casa, em grande parte cometidos por pessoas de confiança. Em declaração para o G1 que divulgou os dados da pesquisa, Major Cláudia, organizadora do documento, declarou:

“Se mais de 60% dos casos acontecem dentro de casa e no círculo de amigos e vizinhos, parentes, pais, padrastos, isso torna essa comunicação do crime mais difícil. A gente tem casos de abusos de crianças que sequer falam, de bebês, com laudos periciais que comprovam estupro”, disse Major Cláudia.

De acordo, com o artigo 217 do Decreto de Lei 2848/40 do Código Penal Brasileiro, a relação sexual com menores de 14 anos é considerada como estupro de vulnerável, com pena de reclusão de oito a 15 anos. Vulnerável é qualquer pessoa em situação de fragilidade ou perigo. 

A lei não se refere  à capacidade para consentir ou à maturidade sexual da vítima, mas ao fato de se encontrar em situação de maior fraqueza moral, social, cultural, fisiológica ou biológica. São vulneráveis os menores de 18 anos, mesmo que tenham maturidade prematura.

A vulnerabilidade é um conceito novo muito mais abrangente, que leva em conta a necessidade de proteção do Estado em relação a certas pessoas ou situações. 

Incluem-se no rol de vulnerabilidade casos de doença mental, embriaguez, hipnose, enfermidade, idade avançada, pouca ou nenhuma mobilidade de membros, perda momentânea de consciência, deficiência intelectual, má formação cultural, miserabilidade social, sujeição a situação de guarda, tutela ou curatela, temor reverencial, enfim, qualquer caso de evidente fragilidade.

Veja também

Saúde

Um terço dos tipos de câncer são evitáveis

Publicidade

Cinta que evita a distensão abdominal e protege a sua postura e coluna [veja o vídeo]

Gravidez na adolescência e o abandono escolar

Ao engravidarem, voluntaria ou involuntariamente, essas adolescentes desistem dos seus projetos de vida. Na gravidez precoce, há uma exclusão dessa jovem, que deixa os estudos e apresenta grande dificuldade de inserção social e no mercado de trabalho, resultando um desequilíbrio socioeconômico na vida dessas jovens.

“Estima-se que cerca de 58% dessas meninas brasileiras com filhos não trabalham e não estudam”.

Os estudos do UNFPA mostram ainda a relação entre a gravidez na adolescência e o ciclo de perpetuação da pobreza, desigualdade e exclusão social. Afinal, ainda é maior a incidência de mães adolescentes nas camadas menos favorecidas economicamente do país.

“Uma menina que vê seus projetos de vida comuns à idade como brincar, namorar, estudar ou pensar no futuro interrompidos pela maternidade, entra em desvantagem no ciclo de desenvolvimento pessoal”, completa a psicóloga terapeuta de família Helena Monteiro.

Mesmo em camadas mais pobre da população, o acesso a meios de informação está presente. O que aumentaria a probabilidade a gestação prematura destas meninas é o comportamento de risco, inerente à fase da adolescência.

“É impossível dissociar a gravidez na adolescência da descoberta da sexualidade”, ressalta o Dr. Paulo Nassar, coordenador do centro de diagnóstico da maternidade Perinatal Barra.

Para a psicóloga especializada em atendimento a crianças e adolescentes, não há uma única causa principal para a gravidez na adolescência, mas uma somatória de fatores. A capacidade do adolescente de se considerar sábio de todos os assuntos e achar que as informações vindas de adultos e de instituições são irrelevantes é um destes fatores.

“Eles (os adolescentes) são imediatistas, usufruindo de prazeres sem pensar nas consequências e ainda nos dias de hoje,
considerarem-se blindados, como se a gravidez só ocorresse em populações diferentes da sua”, reforça a psicóloga Viviane Rossi.

Veja também

Publicidade

Cinta que evita a distensão abdominal, protege a coluna e melhora a postura

Saúde

Balança das causas do câncer e mais onze dicas para prevenir e combater o câncer

Os problemas clínicos da gravidez na adolescência

Não somente problemas de ordem emocional ou social podem ser gerados pela gestação precoce. Do ponto de vista clínico-patológico, há mais riscos para a gestante ou feto na gravidez entre adolescentes do que entre adultas.

Segundo o Dr. Paulo Nassar, existem trabalhos associando a gravidez na adolescência a várias situações clínicas de risco na gestação. Entre os problemas clínicos-patológicos da gravidez em mulheres antes dos 20 anos destacam-se:

  • doenças hipertensivas na gestação (como pré-eclâmpsia);
  • aumento do risco de parto prematuro;
  • anemia gestacional;
  • Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs);
  • baixo peso do feto ao nascer.

O risco de óbito materno em adolescentes de 10 a 19 anos, que em alguns lugares do mundo chegam ao dobro da incidência quando a gravidez é em mulher adulta.

“No Brasil, uma parte dessa mortalidade se justifica pelas tentativas de interrupção da gestação em um ambiente inseguro, uma vez que o abortamento não é garantido por lei no Brasil”, declara o Dr. Nassar.

Referências:
Minha experiência de vida, a revista da mulher e R7.

Gravidez na adolescência
5 (100%) 1 vote

Deixe um comentário